Tabaco e saúde pulmonar – o uso do narguilé


O Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado em 29 de agosto, tem como objetivo reforçar as ações nacionais de sensibilização e mobilização da população para os danos pelo tabaco.

Comemora-se nesta quinta-feira, 29, o dia Nacional de Combate ao Fumo. Criado em 1986, pela Lei Federal 7.488, o Dia Nacional de Combate ao Fumo inaugura a normatização voltada para o controle do tabagismo como problema de saúde pública.

Para as ações de 2019, o tema escolhido foi Tabaco e saúde pulmonar – o uso do narguilé a fim de advertir a população brasileira sobre os riscos de doenças pulmonares oriundas do consumo de tabaco e de seus produtos derivados, incluindo o narguilé. Este é um importante alerta, estima-se que o Brasil tem mais de meio milhão de consumidores do cachimbo de origem oriental.

O narguilé possui uma característica peculiar: um único cachimbo pode ser usado por várias pessoas simultaneamente. Tal fato reforça o seu aspecto de socialização, algo muito atraente, especialmente para os jovens. Além disso, há a falsa sensação de que o narguilé, por ser usado com água, não causa mal à saúde.

O Narguilé, também conhecido como cachimbo d’água, shisha ou Hookah, é um dispositivo para fumar no qual uma mistura de tabaco é aquecida e a fumaça gerada passa por um filtro de água antes de ser aspirada pelo fumante, por meio de uma longa mangueira.

O Secretário Municipal de Saúde, Julio Sandrini, destaca que “por utilizar mecanismos de filtro, o consumo de narguilé é visto como menos nocivo à saúde. Contudo, a literatura revela que o seu uso é mais prejudicial que o de cigarro.”

Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, uma sessão de narguilé dura em média de 20 a 80 minutos, o que corresponde à exposição dos componentes tóxicos presentes na fumaça de aproximadamente 100 cigarros. Com base na evidência científica disponível, o uso de narguilé foi significativamente associado ao desenvolvimento de câncer de pulmão, doenças respiratórias, coronarianas, doença periodontal e ao baixo peso ao nascer de crianças filhas de mães usuárias, além de câncer de boca, bexiga e leucemia. Possibilita ainda a exposição a doses suficientes de nicotina que causam dependência. Estudos também apontaram que o uso de narguilé, após 45 minutos de sessão, acarreta elevação das concentrações plasmáticas de nicotina, de monóxido de carbono expirado e dos batimentos cardíacos. Ocorre também maior exposição a metais pesados, altamente tóxicos e de difícil eliminação, como o cádmio.

“Os riscos do uso do narguilé não estão relacionados somente ao tabaco, mas também a doenças infectocontagiosas: o hábito de compartilhar o bucal entre os usuários pode resultar na transmissão de doenças como herpes, hepatite C e tuberculose,” alerta o Secretário de Saúde.

Além das consequências relatadas, o médico da UBS Dr. Lalá, Guilherme Ratim, ressalta o perigo da intoxicação por monóxido de carbono pelo uso do narguilé. “Por conta da longa exposição durante a inalação, os fumantes de narguilé apresentam maior concentração do monóxido de carbono no sangue pelo fato de que a fumaça do narguilé, por ser hidratada, causa menor irritação na mucosa.”

O carvão utilizado na queima do tabaco favorece a maior inalação dos vapores que contêm diversas substâncias cancerígenas.

Diversos estudos científicos têm demonstrado que a intoxicação pelo monóxido de carbono após a utilização do narguilé pode aumentar o risco de acidentes no trânsito devido à hipóxia cerebral (diminuição do oxigênio sanguíneo no cérebro), já que pode provocar problemas com a coordenação motora, tonturas, fadiga e sonolência.

Para o Secretário Julio Sandrini, “o que chama atenção nas estatísticas sobre o uso do narguilé é que 63% dos usuários são jovens, com idades variando entre 18 e 29 anos e, mais preocupante ainda, é que cerca de 10% dos usuários fazem uso diário do narguilé.”

Desta forma, tanto o cigarro quanto o narguilé envolvem riscos importantes à saúde, sendo que o narguilé pode ser precursor da iniciação do fumo de cigarros e ainda induzir dependência à nicotina.

Como ação de conscientização, a Unidade Básica de Saúde de Piraí do Sul Marcos Daniel Zanello Milléo fará uma abordagem em sentindo de caminhada na rua próxima a UBS, com início por volta das 09h40 e o percurso irá até a Prefeitura Municipal, durante o momento serão entregues panfletos.


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